segunda-feira, 19 de maio de 2014

Despertar

Mais um dia nasce... novo, dizem eles... a mim parece-me igual a ontem e a todos os dias que se seguiram ao dia em que estive acordado da ultima vez.

Acordo e, apesar do sonho ter terminado... continuo a ver-te.

Um raio de luz rompe pelo teu olhar tímido e frágil desenhando no teu rosto luminoso a mais bela das planícies... meu Deus, como a invejo... essa luz que consegue ir ao lugar mais profundo da tua alma e, ainda que os teus olhos brilhem intensamente e personifiquem duas gotas da mais pura e translúcida água - mesmo assim - essa luz não me devolve as respostas que vão no teu coração questionado pelas perguntas que os meus lábios escreveram.

Quero saber, procuro saber, temo saber e subitamente quando essa luz ameaça revelar o que transporta consigo, o que tanto procuro saber, eis que fujo... para o lugar mais meu, aquele onde mais ninguem entra para alem de mim próprio e das minhas perguntas. Coloco o rosto debaixo da almofada como uma criança mimada que não quer ser contemplada e não quer sequer ouvir chamar pelo seu nome...

A ignorância e a ausência desse conhecimento conforta a incerteza alimentada por essa figura protetora e ternurenta - ainda que ingénua que apenas quer o melhor para nós - chamada esperança, frutuosa em pequenas mentiras piedosas, que nos envolve e conforta numa noite de tempestade, como uma mãe embala o seu Ser mais precioso.

Aquele momento em que tudo parece parar e, com um leve suspiro, se aproxima do nosso ouvido como se fosse revelar o maior segredo da humanidade, dizendo apenas "calma, vai tudo correr bem"...

Sim, quero saber... mas não me digas, mostra-me apenas... porque quando o decidires revelar, já os teus olhos me disseram...

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