sexta-feira, 20 de junho de 2014

Gosto de ti



O que é gostar de alguém? É preencher uma ficha com pré-requisitos para ver se gostamos da característica A e B, se a C nos incomoda ou até se a D nos dá muito jeito?

Não, gostar é gostar… desde o primeiro olhar, sem saber o que está por detrás desse mesmo olhar… é beijar e conhecer um único beijo… aquele com saber a pastilha elástica de canela, com o coração aos saltos, de tal forma que não nos lembramos de mais nada para além do beijo e do sabor a canela…

Gostar não requer grandes análises ou procura de respostas… porque não há perguntas.

É um sentimento espontâneo e quanto mais simples for, mais puro e verdadeiro se torna…

Complicar isso é complicar o que há de mais simples no mundo. E quando gostar deixar de ser simples, deixa de fazer sentido. Porque não tem de nos fazer pensar, só tem de nos fazer felizes… apenas isso. 

E se não faz, estamos no local errado, com a pessoa errada.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Procurar-te


Espero por ti, quero esperar por ti, mas deverei fazê-lo? Poderei fazê-lo?

Pior do que fazer uma escolha errada, é não escolher errado… ficando sem saber que a outra era a escolha correta.

Quero errar, quero falhar… quero faze-lo no sentido que, mesmo a pior das decisões me irá levar até ti, na esperança de te ver no final à minha espera… Mas mesmo que não estejas lá, não faz mal, quero saber que te procurei e mesmo sabendo que não te encontrei, quis encontrar-te.

Podes não estar aqui comigo, mas acredita que estás… porque guardo comigo o melhor de ti, a melhor parte… aquela que é só minha e que mais nenhum homem terá. Aquela que mais ninguém irá procurar pois apenas eu conheço a sua existência, porque fui o único a procura-te verdadeiramente.

E quando te encontrei, jurei guarda-te apenas para mim. Guardei-te até hoje e vou continuar a faze-lo. Recordar o passado não me deixa triste por ter perdido qualquer coisa… não, não perdi… em vez disso ganhei, guardei e trago comigo, como algo que me pertence, que faz parte de mim e sem o qual não posso viver. Porque não acabou e não vai acabar enquanto a pureza do teu olhar e os teus tiques estúpidos continuarem a fazer-me sorrir sozinho no meio da rua como um tolinho, cada vez que ouvir aquela música, no momento em que o sol bater no meu rosto, me obrigar a fechar os olhos e me fizer virar a cara, recordando-me que já estive ali contigo.

Vou continuar a procurar-te, porque ao fazê-lo vou encontrar quem realmente procuro….

domingo, 15 de junho de 2014

Amar



Amar… que coisa estranha é essa… que não é algo que o é no mesmo momento que decide querer ser outra coisa qualquer. Não, não é uma coisa… são muitas coisas.

É querer tocar, e TOCAR… é querer beijar, e BEIJAR… e fazê-lo com todo o nosso folego e toda a energia e força com que contraímos os olhos até que os lábios recuem ansiosamente, sedentos do próximo beijo.

Amar não é esperar, nem fazer esperar… por algo ou por alguém… não… o amor não se faz esperando…. O amor vive-se intensamente em cada olhar e cada palavra e faz isso alimentando-se do próprio tempo, devorando-o e guardando-o invejosamente só para si sem o partilhar, porque o tempo só existe naquele momento em que dura o beijo, o toque ou aquele abraço…

Porque esperar pelo amor não faz sentido… é como esperar pelo ar que respiramos. Não esperamos por respirar ou morremos asfixiados pela ausência do oxigénio que nos mantém vivos.

O amor não se deixa asfixiar pelo tempo… o tempo pausa-se com lábios que amam, que beijam, que se sentem… num momento apenas interrompido pelo abrir dos nossos olhos com um olhar cúmplice de si mesmo...

Amar é amar, não porque queremos mas porque simplesmente amamos, porque deixamos de saber o que fazer, com quem e onde… porque deixamos de amar ou ser amados…

Podemos escolher viver sem amar, mas só podemos amar, vivendo…

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Confio em ti...


Podemos confiar no que sentimos?… Mas o que é isso… confiar…

Será acreditar em alguém pela segurança e bem-estar que o seu conforto nos dá? É pensar cegamente que independentemente do que possa acontecer, essa pessoa estará sempre connosco “nos bons e nos maus momentos”? Ou será simplesmente percorrer um caminho que, sendo diferente, é no entanto comum … 

Mas isso não é apenas confiança… confiar é simplesmente acreditar, viver sem o estigma da mentira, por mais pequena e inocente que ela seja. Não, isso não é confiança… é cumplicidade.

É deixar que nos tirem uma foto… e não nos preocuparmos com o resultado, deixando tudo nas mãos da pessoa que a tira, no pleno conhecimento de que ela verá muito mais para além do nosso rosto, se a foto fica bem ou mal… ela verá os nossos olhos... E no final é isso que sai na fotografia e não há abertura ou velocidade de obturador que nos dê esse resultado.

Saber o que o outro pensa, precisa, sente… saber dar a mão mesmo antes de o outro precisar dela, é fechar os olhos e sentirmo-nos aconchegados apenas com a sua presença… embalados apenas pela sua voz e pelo seu espirito… mas mais importante que saber tudo sobre a outra pessoa, é sabermos sobre nós próprios, saber o que realmente sentimos e queremos… Porque gostar de estar com essa pessoa é fácil, difícil é querer estar com ela, difícil é saber que queremos estar com ela, com tudo o que isso implica.

Amar não é sermos escravos desse amor e dessa cumplicidade…  é viver a vida na sua plenitude pelo prazer de viver amando o que temos de mais precioso, o que fazemos…  e poder agarrar esse dom extraordinário e único que é a vida e partilhar-lho com alguém… porque o amor não e apenas  dar o que temos, não é uma troca, não é um investimento, não é um sacrifício e não é certamente uma aventura… não é um caso… amar é isso mesmo, simplesmente amar… e partilhar… porque só podemos fazer alguém feliz se primeiramente nós próprios nos predispusermos a sê-lo… amar é o momento em que dois corpos se unem e transformam pequenos gestos como o toque e o beijo num momento sem passado nem futuro, o presente em toda a sua plenitude… em que mais nada nem ninguém existem…

Primeiro confia-se, tornamo-nos cúmplices e só depois amamos…

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Olhares



Dois passos… foi tudo o que ele foi capaz de dar no momento em que a viu diante de si…

Ainda que atemorizado e congelado por um arrepio que lhe percorria o corpo, sabia que tinha de se afastar… porém, cada centímetro do seu corpo recusava faze-lo… a cada passo que dava, mais tenso o seu corpo ficava e mais forte o seu coração batia. Via-a cada vez mais perto, sem nunca se aproximar verdadeiramente dela... porque não queria, não podia, não era capaz...

Do outro lado, ela ergueu-se e, escondendo o seu olhar no horizonte, resguardou-se numa dança, plena de graciosidade que seguia o ritmo do seu vestido de seda, esvoaçando a um ritmo ditado por uma suave brisa… Indiferente a ele - mas consumindo o seu olhar - alimentava-se do seu fascínio e deleitava-se no seu tímido desejo, sedenta da sua atenção…

Ao fundo, atrás dela, a multidão assistia passivamente a tudo, num ruidoso silêncio enquanto observava os dois.

Ela estava feliz, olhava para trás, sentia-se parte daquela multidão e demasiado próxima de alguém que não o era, alguém de quem não queria depender por receio de deixar de ser ela própria…

A sua ambição e amor-próprio eram mais firmes que o seu coração, cego por um desejo pelo desconhecido em detrimento de alguém tão simples, tão insignificante, tão igual a ela… e então ignorou-o uma última vez…

Incapaz de dar mais de si - embora disposto a ficar ali o tempo que fosse preciso – e indiferente à multidão e ao seu próprio orgulho, indiferente à indiferença... ele fechou os olhos e recuou.

Sabia que mais tarde ou mais cedo tinha de partir pois aquele pedaço de terra deixara de ser o seu lugar, lugar que, na realidade, nunca foi outra coisa senão um cenário, um local de passagem, um caminho…

Suspirou e, voltando-se para ela procurou um último sinal, uma razão, um sorriso, algo que o fizesse sentir que valia a pena, algo que o fizesse viver.

Sem nunca se aproximar, afastou-se novamente, não só dela como daquele lugar...

Inquieta, ela olhou para ele… sentia que tinha ficado algo por dizer. Subitamente, deu conta que não se recordava do seu último olhar… do esboçar do seu último sorriso… assustada, olhou para trás, procurando uma resposta na multidão.

Mas a multidão entretanto partira, deixando-a consigo própria e sem respostas… apenas com o seu vestido de seda…