Podemos confiar no que sentimos?… Mas o que é isso… confiar…
Será acreditar em alguém pela segurança e bem-estar que o
seu conforto nos dá? É pensar cegamente que independentemente do que possa
acontecer, essa pessoa estará sempre connosco “nos bons e nos maus momentos”?
Ou será simplesmente percorrer um caminho que, sendo diferente, é no entanto
comum …
Mas isso não é apenas confiança… confiar é simplesmente acreditar,
viver sem o estigma da mentira, por mais pequena e inocente que ela seja. Não, isso
não é confiança… é cumplicidade.
É deixar que nos tirem uma foto… e não nos preocuparmos com
o resultado, deixando tudo nas mãos da pessoa que a tira, no pleno conhecimento
de que ela verá muito mais para além do nosso rosto, se a foto fica bem ou mal…
ela verá os nossos olhos... E no final é isso que sai na fotografia e não há
abertura ou velocidade de obturador que nos dê esse resultado.
Saber o que o outro pensa, precisa, sente… saber dar a mão
mesmo antes de o outro precisar dela, é fechar os olhos e sentirmo-nos
aconchegados apenas com a sua presença… embalados apenas pela sua voz e pelo
seu espirito… mas mais importante que saber tudo sobre a outra pessoa, é
sabermos sobre nós próprios, saber o que realmente sentimos e queremos… Porque
gostar de estar com essa pessoa é fácil, difícil é querer estar com ela, difícil
é saber que queremos estar com ela, com tudo o que isso implica.
Amar não é sermos escravos desse amor e dessa cumplicidade… é viver a vida na sua plenitude pelo prazer de
viver amando o que temos de mais precioso, o que fazemos… e poder agarrar esse dom extraordinário e
único que é a vida e partilhar-lho com alguém… porque o amor não e apenas dar o que temos, não é uma troca, não é um
investimento, não é um sacrifício e não é certamente uma aventura… não é um
caso… amar é isso mesmo, simplesmente amar… e partilhar… porque só podemos
fazer alguém feliz se primeiramente nós próprios nos predispusermos a sê-lo…
amar é o momento em que dois corpos se unem e transformam pequenos gestos como o
toque e o beijo num momento sem passado nem futuro, o presente em toda a sua plenitude…
em que mais nada nem ninguém existem…
Primeiro confia-se, tornamo-nos cúmplices e só depois amamos…

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