sexta-feira, 6 de junho de 2014

Confio em ti...


Podemos confiar no que sentimos?… Mas o que é isso… confiar…

Será acreditar em alguém pela segurança e bem-estar que o seu conforto nos dá? É pensar cegamente que independentemente do que possa acontecer, essa pessoa estará sempre connosco “nos bons e nos maus momentos”? Ou será simplesmente percorrer um caminho que, sendo diferente, é no entanto comum … 

Mas isso não é apenas confiança… confiar é simplesmente acreditar, viver sem o estigma da mentira, por mais pequena e inocente que ela seja. Não, isso não é confiança… é cumplicidade.

É deixar que nos tirem uma foto… e não nos preocuparmos com o resultado, deixando tudo nas mãos da pessoa que a tira, no pleno conhecimento de que ela verá muito mais para além do nosso rosto, se a foto fica bem ou mal… ela verá os nossos olhos... E no final é isso que sai na fotografia e não há abertura ou velocidade de obturador que nos dê esse resultado.

Saber o que o outro pensa, precisa, sente… saber dar a mão mesmo antes de o outro precisar dela, é fechar os olhos e sentirmo-nos aconchegados apenas com a sua presença… embalados apenas pela sua voz e pelo seu espirito… mas mais importante que saber tudo sobre a outra pessoa, é sabermos sobre nós próprios, saber o que realmente sentimos e queremos… Porque gostar de estar com essa pessoa é fácil, difícil é querer estar com ela, difícil é saber que queremos estar com ela, com tudo o que isso implica.

Amar não é sermos escravos desse amor e dessa cumplicidade…  é viver a vida na sua plenitude pelo prazer de viver amando o que temos de mais precioso, o que fazemos…  e poder agarrar esse dom extraordinário e único que é a vida e partilhar-lho com alguém… porque o amor não e apenas  dar o que temos, não é uma troca, não é um investimento, não é um sacrifício e não é certamente uma aventura… não é um caso… amar é isso mesmo, simplesmente amar… e partilhar… porque só podemos fazer alguém feliz se primeiramente nós próprios nos predispusermos a sê-lo… amar é o momento em que dois corpos se unem e transformam pequenos gestos como o toque e o beijo num momento sem passado nem futuro, o presente em toda a sua plenitude… em que mais nada nem ninguém existem…

Primeiro confia-se, tornamo-nos cúmplices e só depois amamos…

Sem comentários:

Enviar um comentário