O tempo passa...
Vai correndo a passos largos e ao mesmo tempo tudo parece estar irritantemente parado.
As expectativas outrora enormes e tão disciplinadas quanto uma criança eufórica deserta por correr e brincar, desvanecem-se... dissolvem-se numa realidade que nos parece querer prender e embalar numa nefasta apatia que aceitamos de bom grado contra tudo o que desejamos...
Somos cúmplices das nossas decisões e escravos das suas consequências...
A vontade de culpar quem nos rodeia, a malfadada sorte ou um destino teimoso que insiste em andar desalinhado com o roteiro que planeamos cuidadosamente ao pormenor todos os dias... um roteiro, traçado por um timoneiro que desconhece por completo a terra que pisa e que o viu nascer... Até que nos fartamos e gritamos para dentro em tom de promessa: Sem planos!
Bravo, agora continuamos à deriva... tal e qual como antes, a diferença é que não sabemos para onde vamos...
São horas e horas a construir um puzzle... dias... semanas... meses de dedicação, entrega e uma enorme vontade de ver o resultado final...
Pelo meio, momentos de vitória só pelo simples facto de termos conseguido fazer um pedaço de céu aqui... um pouco de mar ali...
Até que a peça final do puzzle não encaixa, a dura e inevitável sensação que falhámos em algum sítio... Será a peça errada, trocada ou simplesmente não passa de um defeito do puzzle...
Dominados pela frustração, desmanchamos tudo na esperança de que na próxima vez tudo fique devidamente composto...
Porque a vida é feita de momentos que apenas fazem sentido se no final houver harmonia entre eles... um quadro só se torna uma obra admirável se os elementos que o compõem formarem algo que é muito mais do que a soma das suas partes.
Não são meras pincelados compostos por pigmentos coloridos... é muito mais do que isso.
E não, não é uma mera teoria de Gestalt... é uma realidade que insistimos em contrariar para podermos viver com o puzzle incompleto.
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