Durante a nossa vida temos momentos de perda. Uns mais dolorosos do que outros mas todos eles proporcionais ao que vivemos, que partilhámos e construímos até aquele momento. E todos eles têm em comum uma pergunta: E agora?
É irónico que algo que, na ausência do conhecimento do que nos espera num futuro mais ou menos próximo, seja sempre necessário fazê-lo depender do passado, do que aprendemos, do que ele nos proporcionou até aí e do quanto as nossas expectativas estão indexadas a essa vivência e como isso nos faz sentir mais tranquilos ou ansiosos.
Alguém dizia-me há algum tempo que a felicidade apenas depende de nós próprios...
Nada mais errado... podemos tomar decisões tendo essa meta no nosso horizonte, podemos e devemos ter uma palavra a dizer no desfecho, mas acharmos que apenas depende de nós é tentar enganar-nos... não só a nós próprios, mas também a quem nos rodeia.
E acima de tudo, é sermos injustos para quem está sempre ao nosso lado... É o mesmo que dizer que a dor, a tristeza e o infortúnio daqueles que nos são próximos, passa-nos completamente ao lado… Alguém acredita nisso?
Para além de ser egoísta é também presunçoso pensar dessa forma.
E esse engano dura apenas o tempo necessário.
Podemos tentar tudo para não nos tornarmos dependentes de algo ou alguém e dessa forma salvaguardar o impacto que essa relação bidirecional terá nas nossas vidas mas isso seria como nos recusarmos a voar para dessa forma não corrermos o risco de cair…
É legitimo fazê-lo mas qual é o sentido de percorrer um caminho sem ter uma história para contar e a quem contar, seja ela boa ou má?...
Damos por garantido o nosso estado de alma mas ele não é o que queremos que ele seja, ele é o que sentimos, o que nos faz sentir vivos e isso é algo que nunca partirá de nós... é algo para o qual contribuímos com cada gesto nas decisões que tomamos. Não somos nós que tiramos o melhor de nós mas sim as pessoas que nos rodeiam… são elas que nos impelem a dizer e a fazer coisas, das quais muitas não nos imaginávamos capazes de fazer...
É verdade que nunca vamos perder aquilo que aparentemente nunca tivemos mas o vazio de uma decisão dessas cria um vazio difícil de preencher, vazio esse que só se revela quando menos esperamos e quanto menos precisamos dele... quando estamos mais vulneráveis.
Também vai chegar o dia em que vamos sentir que demos o melhor de nós... o que éramos e o que tínhamos, mas o retorno final revela-se uma mão cheia de nada…
Mas não desistas nem nunca penses que não valeu a pena… ao dares o melhor de ti, estás a trilhar um caminho que te leva a ti próprio, à essência do que és e sempre procuraste ser, mesmo que no fim nada corresponda ao que idealizaste e sonhaste. Não te preocupes, não encares isso como um falhanço pessoal, significa apenas que esse caminho ainda não chegou ao fim e que o melhor está para vir, portanto não pares e segue em frente.
Nunca faças depender os teus sonhos do resultado final pois esse nunca dependerá inteiramente de ti… mas escolhe a melhor forma de lá chegar, a que te faz mais feliz, independentemente das pessoas… pois apenas algumas delas te vão seguir e muitas vão ficar pelo caminho.
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